Crescimento pessoal
March 6, 2026
4
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Cansaço. Como controlar os seus efeitos?

Sentes-te esgotado e com pouca energia? Sofres de exaustão e de fraqueza física e mental quase de forma permanente? Dormes, mas não descansas, e custa-te muito sair da cama todas as manhãs? Perdeste a boa disposição para enfrentar cada novo dia e a sua rotina? Reparas que já não encontras plena motivação no trabalho e/ou nas tuas tarefas de maternidade e domésticas? Atenção! Podes estar a sofrer sintomas de stress, caracterizado por um estado de cansaço mental e físico.

O stress: um mecanismo natural

Importa esclarecer, antes de mais, que o stress faz parte da própria vida. Trata-se de um mecanismo normal através do qual o nosso corpo se prepara para enfrentar as situações do dia a dia: o trabalho e as suas exigências, o pagamento da renda e dos impostos, os horários e as obrigações, o desejo de superação pessoal, um novo curso, a casa e os filhos… É uma reação mental e física que, se não existisse, nos deixaria a todos de ombros descaídos e a arrastar os pés. É a nossa forma “ativa” e “alerta” de estar no mundo, com a resistência necessária para lidar com as novas situações que a vida quotidiana nos apresenta.

Quando nos sentimos cansados, em geral atribuímos ao “esgotamento” ou à “extenuação” uma conotação negativa quando, convém sabê-lo, até as circunstâncias mais maravilhosas da vida nos podem levar à beira de um ataque de nervos. Uma promoção, os preparativos do teu casamento ou a tua licença de maternidade são acontecimentos positivos que, no entanto, se não conseguires gerir as emoções que te provocam, podem acabar por te fragilizar. Em alguns casos, observa-se como a mente pode enganar o corpo e provocar dor psicossomática ou mal-estar sem qualquer explicação. Por isso, é fundamental aprender a gerir as emoções e a dar a cada situação a importância que merece.

 Assim, recordemos: o stress é normal. Mas atenção: quando as exigências internas (uma disciplina em atraso) ou externas (o teu casamento), reais (a prestação do crédito à habitação) ou imaginárias (a crença de que o teu chefe te quer despedir), ultrapassam a tua capacidade de resposta adequada, o stress normal transforma-se em distress, o chamado “stress mau”. Neste nível de fragilidade física e psíquica, já não respondes de forma adequada nem recuperas rapidamente; pelo contrário, manténs-te num estado deficitário, evidenciando falta de esperança e de otimismo, fadiga mental, vontade de dormir o dia inteiro ou, pelo contrário, insónia, entre outros sinais de alarme.

Perante os primeiros indícios, o mais adequado é marcares uma consulta com o teu médico e explicares o que estás a sentir. Se, após um check-up exaustivo, não surgir um diagnóstico claro (um desequilíbrio hormonal, por exemplo), ou seja, se se excluir que estejas a desenvolver uma doença (um hipotiroidismo poderia encaixar nos sintomas), o mais provável é que estejas esgotada. Isto não significa que o teu estado de saúde seja ótimo, mas sim que deves agir rapidamente — antes que esse mal-estar geral, por ser “habitual”, se torne crónico e acabe por desencadear patologias sérias a curto, médio ou longo prazo.

Alguns sintomas do cansaço crónico

  1. Cansaço crónico: Fraqueza física e emocional

Um esgotamento que, à primeira vista, não tem justificação. Talvez andes pela vida em “piloto automático” e, de repente, de um dia para o outro, o que era normal passa a ser um esforço e a rotina torna-se uma missão impossível. Pode ser o resultado de um stress intenso, mantido ao longo do tempo, que acabou por provocar um desequilíbrio corporal e mental.

  1. Cansaço crónico: Fadiga mental

Afeta diretamente a tua qualidade de vida. É a sensação de que não consegues com nada: nem com as crianças, nem com o teu papel de esposa, nem com as tuas tarefas… Simplesmente não consegues. O que é pequeno torna-se complicado e tudo te ultrapassa.

  1. Cansaço crónico: Falta de motivação e de otimismo

Muda a tua perceção da realidade; o cérebro já não funciona como sempre. Não reages ao dia a dia à tua maneira, mas sim com uma expectativa negativa. O que é que isto significa? Se estás numa relação, podes começar a suspeitar que te está a enganar; se tens trabalho, acreditas que o poderás perder a qualquer momento; julgas-te uma má mãe ou uma má filha… É como se andasses pela vida com uns óculos escuros que toldam a visão e te fazem ver tudo de forma negativa. E lembra-te: “a vida não é o que acontece, mas sim o que acreditamos que acontece”. Por isso, se acreditas que tudo está a correr mal, inevitavelmente, tudo irá de mal a pior.

  1. Cansaço crónico: Maior sensibilidade

Choras por tudo e por nada. Sentes-te extremamente vulnerável, incapaz de enfrentar as novidades que, todos os dias, a vida te apresenta. Tudo te transborda e faz-te sentir pequena e impotente.

  1. Cansaço crónico: Insónia

Tens tantos pensamentos na cabeça que não consegues adormecer à noite. Como consequência, durante o dia andas como um “zombie”. Há quem, pelo contrário, durma horas e horas, embora isso não devolva a vitalidade e a força mental para sair de casa e “comer o mundo”.

  1. Cansaço crónico: Perda de energia

O simples transforma-se numa atividade complexa, que te exige mais do que consegues dar. Falta de prazer em atividades que, noutro momento, eram agradáveis (os passeios com os filhos ou sobrinhos, as saídas com amigas, o sexo). Não tens força nem para te levantares da cama.

  1. Cansaço crónico: Perda de memória e desgaste psíquico

A tua mente já não processa bem. O teu desempenho nas tarefas domésticas e/ou profissionais diminui. Esqueces-te do que precisas de comprar no supermercado, não dás os parabéns ao teu marido pelo aniversário de casamento.

  1. Cansaço crónico: Sensações e sintomas corporais

Embora um exame de sangue não revele anomalias e o check-up médico tenha corrido bem, se sofre, entre outras coisas, de palpitações, problemas digestivos (a síndrome do cólon irritável é muito frequente) ou de um rápido aumento ou perda de peso, é possível que transfira as suas preocupações para a ingestão de alimentos.

Como combater os efeitos do stress na tua vida?

Como a saúde é um equilíbrio que, se não o cuidares, se desajusta e pode evoluir para a doença, deves voltar ao teu eixo, aumentando o que te faz bem e reduzindo o que te faz mal, para controlar os fatores que desencadeiam o estado que te afeta. Como combater o stress? É simples: presta atenção.

É preciso aumentar

Tudo o que faz bem ao teu corpo, tanto a nível físico como emocional. Em primeiro lugar, as horas de sono. Procura dormir o suficiente (sete a oito horas por noite). Inclui desafios mentais: sopas de letras ou sudoku, aprender uma segunda ou terceira língua, ou iniciar um novo hobby. Viaja mais. Sim! Viajar é uma das melhores formas de desligar da rotina que, por vezes, pode tornar-se tóxica.

Hidrata-te mais e melhor: com água mineral, de preferência. Cuida da alimentação e aposta numa dieta variada em cores, texturas e sabores. Pratica um desporto ou faz exercício físico pelo menos meia hora por dia. Perante uma situação stressante ou de máxima exigência, respira profundamente, pratica técnicas de relaxamento e tira cinco minutos para refletir e pensar nos próximos passos. Multiplica os teus momentos só para ti: sair com amigas, ir ao cinema, uma aula de zumba, um concerto do teu cantor favorito, entre outros. Mesmo que sejas uma profissional ocupada e/ou uma mãe “multitarefas”, tens direito a meia hora só tua todos os dias mesmo que não venha escrito em lado nenhum. Passa mais tempo ao ar livre e menos horas fechada entre as quatro paredes do quarto ou do escritório. Se não o conseguires evitar, areja e humidifica bem os espaços onde passas mais horas ao longo do dia.

Deverias reduzir

Aquilo que te desgasta e te esgota. Antes de mais, é hora de pôr o pé no travão da tua rotina e baixar a tensão e o ritmo. Isto traduz-se em: menos horas de trabalho, menos obrigações, menos exigências… Procura relaxar a mente e reduzir também as tuas imposições internas (o “eu devia fazer”, “eu devia ser”, etc.). Isto é fundamental para controlar o mal-estar que as consequências do stress podem provocar.

Em segundo lugar, controla o consumo de açúcar refinado e rapidamente notarás a diferença (vais sentir-te com mais energia disponível). Reduz a zero o consumo de fast food e de bebidas gaseificadas. Elimina da tua vida a nicotina e o álcool, bem como outras drogas legais (ansiolíticos por automedicação) e ilegais. Reduz ao mínimo o tempo que passas com pessoas “tóxicas”, que te drenam e conseguem trazer ao de cima o pior de ti. Minimiza as autocríticas: chega de “sou feia”, “estou gorda”, “a minha carreira não avança” ou “os meus filhos não me valorizam”. Retira dos teus dias os “não consigo”, “não sou capaz”, “não sirvo para”. Vais ver que a vitalidade volta a bater à tua porta. Desta vez, não a deixes ir!

Por último: tem isto bem presente

O cansaço de hoje é apenas um aviso. O corpo, entendido de forma integral (mente e corpo), acende sinais de alarme. Se não lhes prestares atenção, poderás adoecer de forma mais grave. Não fiques de braços cruzados: consulta um médico, exclui problemas mais sérios e trata de fazer algumas mudanças de hábitos. Vais ver que, em poucos dias, começarás a sentir-te melhor e com mais força para enfrentares o dia a dia com entusiasmo e confiança no futuro.

Podes contar com um psicólogo online na Therapyside para continuares aaprofundar as tuas emoções, dares prioridade a ti próprio e cuidares do teu bem-estar psicológico. Se este artigo te ajudou a compreender melhor este tema, esperamos que te sintas mais empoderado para viveres uma vida sem limitações!